segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

I wanna go, for a place where I'm just a girl

       Tem vezes que eu não sei porque, mas me da vontade de sumir, ou de nunca ter existido. Eu complico a vida de todos a minha volta, qualquer um que tenha um laço afetivo comigo acaba tendo problemas por conta disso, Queria tanto mudar isso, mas as vezes penso que essas pessoas  só conseguirão ser felizes quando eu me for para sempre.
       Não consigo permanecer feliz vendo alguém próximo a mim triste, não acho que eu seja o centro do universo, nem mesmo do meu próprio universo, nada deve girar em torno de mim, porque se for assim com certeza as pessoas a minha volta terão problemas.
       Alguém me leva embora daqui? Para uma outra dimensão talvez, algum lugar onde tudo mais fácil, algum lugar onde eu seja uma solução para a tristeza das pessoas, e não a principal causa delas.
       Definitivamente essa está sendo a fase mais árdua da minha jovem e insignificante vida, porque pior do que você se sentir rejeitada e isolada do mundo, é você sentir que esta sendo apenas um peso na vida das pessoas que você gosta.
       Oh doce e amargada vida, mas uma vez rogo-lhe  compaixão, se já não tenho mais utilidade, leve-me daqui para um lugar o qual eu não seja mais uma rosa com espinho à cortar quem me tenha nas mãos, mas uma orquídea serena e inspiradora.  

Nuvem, liberte suas gotas.


       Hoje o céu está nublado, acho incrível como o céu parece ser alinhado com o meu humor, o dia está monótono, a hora demora a passar e meu peito fica cada vez mais apertado. Céu, meu querido céu, derrame suas águas para que já não vejam lagrimas em meu rosto, mas suas águas me consolando. Para que junto com sua chuva minhas aflições também escorram sob minha pele.
      Minha cabeça só penso em uma única coisa, meu corpo parece não responder aos meus comandos, minha boca, silenciada pelas aflições, já não se sente tão útil. Meu ouvido, parece estar tão inutilizado quanto todo o resto, pois parece não estar ouvindo nada alem  de ruídos torturantes e incessantes. Como esse sentimento dentro de mim, as gotas parecem não querer abandonar a nuvem. Talvez como eu , ela esteja agoniada para que isso suma libertando-a .
            Nunca fiquei tão mal a ponto de todos perceberem como hoje, nem um sorriso eu consigo esboçar em minha face, que está fria, vazia e sem expressão aparente, espere que isso passe logo, pois não sou tão forte assim, não mesmo, ultimamente tenho estado mais frágil do que um castelo de cartas... Se alguém assoprar, dessa vez eu caio.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Romeu e Julieta, ATO V, Cena lll



ROMEU - Em verdade o farei. Porém vejamos estas feições: o nobre conde Páris, parente de Mercúcio!
Que me disse meu criado, quando juntos caminhávamos para cá e minha alma atormentada não escutava
nada? Não me disse que Páris e Julieta iam casar-se? Não foi assim, ou terá sido sonho? Ou então, por
estar louco, pensei nisso, quando ele me falava de Julieta? Dá-me essa mão, ó tu que estás inscrito, como
eu também, no livro do infortúnio. Vou depor-te num túmulo glorioso. Túmulo? Não, mancebo
assassinado; uma lanterna, pois Julieta se acha deitada aí e sua formosura faz desta abóbada uma sala
régia, transbordante de luz. Repousa, morto, por um morto enterrado.
(Coloca no túmulo o corpo de Páris.)

Quantas vezes, no ponto de morrer, ledos se mostram os homens? É o clarão da despedida, dizem
quantos o doente estão velando. Oh! poderei chamar clarão a esta hora? Ó meu amor! querida esposa! A
morte que sugou todo o mel de teu doce hálito poder não teve em tua formosura. Não; conquistada ainda
não foste; a insígnia da beleza em teus lábios e nas faces ainda está carmesim, não tendo feito progresso
o pálido pendão da morte. Tebaldo, jazes num lençol de sangue? Oh! que maior favor fazer-te posso do
que com esta mesma mão que a tua mocidade cortou, destruir, agora, também, a do que foi teu inimigo?
Primo, perdoa-me. Ah! querida esposa, por que ainda és tão formosa? Pensar devo que a morte
insubstancial se apaixonasse de ti e que esse monstro magro e horrível para amante nas trevas te
conserve? Com medo disso, ficarei contigo, sem nunca mais deixar os aposentos da tenebrosa noite; aqui
desejo permanecer, com os vermes, teus serventes. Aqui, sim, aqui mesmo fixar quero meu eterno
repouso, e desta carne lassa do mundo sacudir o jugo das estrelas funestas. Olhos, vede mais uma vez; é a
última. Um abraço permiti-vos também, ó braços! Lábios, que sois a porta do hálito, com um beijo
legítimo selai este contrato sempiterno com a morte exorbitante. Vem, condutor amargo! Vem, meu guia
de gosto repugnante! Ó tu, piloto desesperado! lança de um só golpe contra a rocha escarpada teu
barquinho tão cansado da viagem trabalhosa. Eis para meu amor.

(Bebe.)
Ó boticário veraz e honesto! tua droga é rápida. Deste modo, com um beijo, deixo a vida.
(Morre.)
(Entra pelo outro lado do cemitério frei Lourenço com lanterna, alavanca e uma pá.)

FREI LOURENÇO - São Francisco me ajude! Quantas vezes esta noite meus pés enfraquecidos
tropeçaram em túmulos? Quem vive?

BALTASAR - É um amigo, que muito vos conhece.

FREI LOURENÇO - Deus te abençoe. Querido amigo, dize-me que tocha é aquela ali que embalde a sua
luz aos vermes empresta e aos crânios cegos? Ao que parece, está no monumento dos Capuletos.

BALTASAR - Sim, é lá, santo homem. Lá se acha meu senhor, de quem gostais.

FREI LOURENÇO - Quem é ele?

BALTASAR - Romeu.

FREI LOURENÇO - Há quanto tempo está ele lá?

BALTASAR - Há cerca de meia hora.

FREI LOURENÇO - Vem comigo até o túmulo.

BALTASAR - Não ouso fazer isso, senhor; meu amo pensa que eu fui embora e me ameaçou de morte se
eu ficasse a espreitá-lo.

FREI LOURENÇO - Então espera; irei só; já começo a sentir medo. Oh! receio algum caso desastrado.

BALTASAR - Tendo dormido sob aquele teixo, vi em sonhos, parece, que meu amo se batia com outro,
tendo-o morto.

FREI LOURENÇO
(adiantando-se)
-
Romeu! Romeu! Oh dor! Que sangue é este que mancha a entrada pétrea do sepulcro? Que quererão
dizer estas espadas sem dono, a estilar sangue e descoradas, neste lugar de paz?
(Entra no túmulo.)
Romeu! Oh, pálido! Quem mais? Quê! Também Páris? E encharcado de sangue? Oh! que hora dura teve
culpa deste acontecimento lamentável? A senhora se mexe.
(Julieta desperta.)

JULIETA - Ó meu bom frade, onde está meu senhor? Sei muito bem onde eu devia estar, onde me
encontro. Mas onde está Romeu?
(Barulho dentro.)

FREI LOURENÇO - Ouço bulha. Saí, senhora, desse ninho de morte, de contágio e sono contrário à
natureza. Uma potência por demais forte para que a vençamos frustrou nossos intentos. Vem, bem logo!
Teu marido em teu seio se acha morto; Páris também. Vem logo; vou levar-te para um convento de
piedosas freiras. Não percas tempo com perguntas; vamos; a guarda está chegando. Vem, bondosa

Julieta; não me atrevo a esperar mais.

JULIETA - Vai, que eu daqui não sairei jamais.
(Sai frei Lourenço.)
Que vejo aqui? Um copo bem fechado na mão de meu amor? Certo: veneno foi seu fim prematuro. Oh!
que sovina! Bebeste tudo, sem que me deixasses uma só gota amiga, para alivio. Vou beijar esses lábios;
é possível que algum veneno ainda se ache neles, para me dar alento e dar a morte.
(Beija-o.)
Teus lábios estão quentes.

PRIMEIRO GUARDA (dentro) - Vamos, guia-me, rapaz; qual é o caminho?

JULIETA - Ouço barulho. Preciso andar depressa. Oh! sê bem-vindo, punhal!
(Apodera-se do punhal de Romeu.)
Tua bainha é aqui. Repousa ai bem quieto e deixa-me morrer.
(Cai sobre o corpo de Romeu e morre.)
(Entram os homens da guarda, com o pajem de Páris.)

Isso nunca acaba.


        Como se já não bastasse a insegurança que está começando a me afetar, aquele aperto no peito está de volta, a angústia. É  horrível sentir isso e não saber como aquietar minha pulsação que está cada vez mais acelerada.
        Vontade de chorar, de me isolar, de me desmanchar em lagrimas. Enquanto meus lábios estão sempre a esboçar um sorriso de contentamento, meu olhar esconde o que eu realmente sinto. Pois é, minha auto-suficiência  não foi totalmente derrubada, não consigo demonstrar fraqueza, eu queria tanto mudar isso em mim, queria tanto ser doce, aparentemente frágil e delicada como todas as outras meninas normais.
         Ao contrario do que muitos pensam, nesse aspecto, ser diferente não é legal, não mesmo. Esse ano está tudo tão diferente, todas as minhas certezas se tornaram incertezas, de certo modo está sendo bom, mas tem um lado ruim, claro, mas acho que o lado bom tem suprido todas as minhas expectativas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Romeu e Julieta - Cena V


JULIETA — Já vai embora? Mas se não está nem perto de amanhecer! Foi o rouxinol, não a cotovia, que penetrou o canal receoso de teu ouvido. Toda a noite ele canta lá na romãzeira. Acredita-me, amor, foi o rouxinol.

ROMEU — Foi a cotovia, arauto da manhã, e não o rouxinol. Olha, amor, as riscas invejosas que tecem um rendado nas nuvens que vão partindo lá para os lados do nascente. As velas noturnas consumiram-se, e o dia, bem-disposto, põe-se nas pontas dos pés sobre os cimos nevoentos dos morros. Devo partir e viver, ou fico para morrer.

JULIETA — Essa luz não é a luz do dia, eu sei que não é, eu sei. É só algum meteoro que se desprendeu do sol, enviado para esta noite portador de tocha a teu dispor, e iluminar-te em teu caminho para Mântua. Portanto, fica ainda, não... precisas partir.

ROMEU — Que me prendam! Que me matem! Se assim o queres, estou de acordo. Digo que aquele acinzentado não é o raiar do dia; antes, é o pálido reflexo da lua. Digo que não é a cotovia que lança notas melodiosas para a abóbada do céu, tão acima de nossas cabeças. Tenho mais ânsia de ficar que vontade de partir. — Vem, morte, e seja bem-vinda! Julieta assim o quer. — Está bem assim, meu coração? Vamos conversar... posto que ainda não é dia!

JULIETA — É dia sim, é dia sim. Corre daqui, vai-te embora de uma vez! É a cotovia que canta assim tão desafinada, forçando irritantes dissonâncias e agudos desagradáveis. Alguns dizem que a cotovia separa as frases melódicas com doçura; não posso acreditar, pois que ela vem agora nos separar. Alguns dizem que a cotovia é o odiável sapo permutam seus olhos; como eu gostaria, agora, que eles também tivessem permutado suas vozes! Essa voz alarma-nos, afastando-nos um dos braços do outro, já que vem te caçar aqui, com o grito que dá início à caçada deste dia. Ah, vai-te agora; ilumina-se mais e mais a manhã.

ROMEU — Ilumina-se mais e mais... enquanto anoitece em nossos corações!

(Entra a Ama.)

AMA — Madame!

JULIETA — Ama?

AMA — A senhora tua mãe vem vindo para os teus aposentos. Amanheceu. Sê prudente, cuida do que acontece à tua volta.

(Sai.)

JULIETA — Então, janela, deixe entrar o dia e deixe fugir a vida.

ROMEU — Adeus, adeus! Um beijo, e eu desço.

(Desce.)

JULIETA — Estás indo embora assim? Meu esposo, meu amor, meu amigo! Preciso ter notícias tuas todo dia, a cada hora, pois num único minuto cabem muitos dias. Ah, por essa contagem estarei velhinha antes de reencontrar o meu Romeu.

ROMEU — Adeus! Não perderei oportunidade em que possa transmitir a ti, amor, meus sentimentos.

JULIETA — Acreditas que nos veremos de novo?

ROMEU — Não duvido nem por um momento. E todas essas aflições servirão de tema para doces conversas em nosso futuro.

JULIETA — Ah, Deus! Como minha alma é agourenta. Penso ver-te, agora que estás aí embaixo, como alguém morto, no fundo de uma tumba. Ou meus olhos estão me enganando ou estás muito pálido.

ROMEU — Acredita-me, amor, enxergo-te igualmente pálida. A tristeza, insensível, nos bebe todo o sangue. Adeus, adeus!



~ William Shakespeare ~

Já não existe mais escudo

     Quanto mais um pessoa se mostra forte, mais frágil ela é por dentro. Não acredita nisso? Eu sou a prova viva. Antes eu nem teria coragem de postar algo desse tipo aqui, mas acho que isso já é passado. Será ?
    Passei anos da minha vida, criando um escudo invisível em torno de mim, para parecer forte, fria e indestrutível, mas não foi do nada que eu resolvi ficar assim, foi quando perdi uma das pessoas mais importantes da minha vida, ela era minha maior proteção, quando estava em seus braços parecia que nada podia me atingir. Quando ela se foi eu me senti vulnerável, frágil, parecia que qualquer vento poderia me derrubar, então eu achei que fazer isso era necessário para minha “sobrevivência”.
     Não que eu me arrependa de ter sido assim, não , eu não me arrependo, porque isso me livrou de vários possíveis sofrimentos e desilusões, acho que esse escudo caiu na hora certa, não importa o quanto eu tentei manter ele, chegou uma hora em que ele teve que ser destruído, e eu também não me arrependo de ele ter caído agora, acho que tudo esta sendo tão bom para mim agora.
Engraçado não ? nunca imaginei pensar isso, que dirá escrever isso aqui, mas isso esta me fazendo bem sabe?! É bom não ser tão fria, tão calculista e me demonstrar  frágil de vez em quando, acho que isso é normal, que todas as pessoas que são como eu era um dia irão passar por isso também, espero eu. Porque eles se sentirão tão satisfeitos consigo mesmo quanto eu me sinto.
      Acho que esse foi o texto mais embaralhado que eu já fiz, mas se você soubesse como esta minha cabeça você entenderia rs.